Pessoas de bem com a vida

Como é lindo e agradável encontrar pessoas que, de maneira escancarada, evidenciam em cada ação o prazer que sentem em viver de bem com a vida.
Aquelas pessoas que não permitem que as circunstâncias atuais da vida alterem seu estado de humor, seu ânimo, sua alegria interior e seu prazer em viver fazendo o que precisa ser feito hoje.

Este final de semana cruzei com centenas de pessoas assim, e me contagiei por esse alento encantador.
Fui passar um final de semana em uma praia Paulista, na região de São Sebastião. Litoral lindo, eu já sabia.
O que me surpreendeu desde os primeiros instantes respirando a brisa do mar foi a atitude daqueles que estão à serviço de quem, como eu, está só a passeio.

E as diferenças sociais, culturais e econômicas dispensam comentários.
Meu choque teve início ao ver o tamanho de uma obra no trecho de Serra da Rodovia dos Tamoios. Mais de 21 km de obras e ao menos 2800 empregos diretos. Mas na verdade não foi o tamanho da obra que me chocou. Foi o desprendimento nítido em todos os homens que eu pude ver trabalhando. Haviam homens pendurados há 100 m(cem metros mesmo) de altura, em trechos de desabamentos terra, construindo um sistema de contenção para evitar que novos desabamentos coloquem em risco as nossas vidas. Lá de cima, brincavam com os homens que estavam em terra firme, em apoio. E os debaixo respondiam. E o rapaz do “siga-pare” dando bom dia para cada carro que passava, e os motoristas dos caminhões que transportam todo material necessário dando passagem, agradecendo pelo acesso permitido quando pediam. Todo transtorno da obra se torna insignificante diante de tanta entrega.

Então, chegamos à praia, o choque já havia passado, e agora eu estava tomada por uma sensação deliciosa de gentileza e boa vontade.
Parada tradicional em um posto pra ter certeza que o caminho está certo, e mais gentileza, sorrisos, alegria e boa vontade.
Chegamos tranquilos à pousada onde tínhamos reserva, e apesar de adiantados, fomos recebidos com sorrisos e gentilezas.

A fome nos levou ao primeiro restaurante disponível, e adivinhe? Sorrisos, gentileza e um bolinho de aipim sensacional.
Praia não é só opcional, e mais uma vez atendimento de primeira. E não me refiro ao atendimento técnico de quem não quer perder o cliente. É um atendimento diferenciado pelo carinho e atenção dedicado ao cliente que se tenta cativar. É um atendimento regado à sorrisos constante, respostas elaboradas e um diálogo legítimo entre cliente e servidor. A sensação nessa relação é de troca, e não de vantagens.

Eu poderia escrever mais um texto apenas para elencar todos os prestadores de serviços que nos atenderam como se fossemos pessoas e não apenas como clientes em potencial. Todos os garçons em restaurante, a menina da óptica que me deu de brinde um líquido de limpar lentes, mesmo depois de eu ter comprado apenas uma flanela de cinco reais e sabendo que moro à 500 km de distância dali. O mecânico que resolveu um imprevisto no carro, a moça da loja de camisetas, os garis que cruzaram nosso caminho ao sairmos da praia, o sujeito embriagado que se encantou por que estávamos, eu e meu marido, caminhando de mãos dadas, e muitos outros, sempre, sorrindo, solícitos e gentis.

Pessoas simples, que passam o dia servindo outras pessoas que vivem suas vidas de forma completamente diferente delas. Vivem sem dinheiro e servem gentilmente, pessoas que chegam em carros importados, se hospedam em casas e hotéis luxuosos, vestem roupas caras e comem do bom e do melhor. É sim uma diferença gritante. Mas é mais marcante o desprendimento de todos que estão servindo. É como se eles não sentissem diferença alguma. Parece até que eles consideram todos que se dirigem à eles, um membro da família. E o mais fascinante é que eles parecem saber que fazer o melhor que podem, é o melhor que podem fazer.

Não vou citar todos, para não alongar-me por demais, mas não posso deixar de fora o rapaz que “guarda carros”.
Em poucos minutos de conversa, sim ele faz questão de conversar, contou-nos sua história de vida, e falou sobre a praia onde estávamos, a melhor praia da região, “por isso que eu trabalho aqui há anos já!” Conversou abraçando alguns clientes milionários que frequentam a praia e nos garantiu que iríamos adorar a praia e voltar muitas vezes.
Quando voltávamos para nosso carro, ele veio em nossa direção com um garrafão de cinco litros de água. “Vim lavar os pés de vocês pra tirar areia e o sal”. Enquanto ele jogava aquela água em meus pés, eu senti a magnanimidade deste coração. Não há dinheiro que possa pagar esse tipo de atitude, e não é dinheiro que ele quer, por que eu perguntei “quanto te pago” e a resposta foi “aqui o cliente paga quanto pode”.

É claro que nessa relação ele recebe dinheiro, até por que ele me pareceu do tipo de ser que precisa comprar itens como alimentos, roupas, remédios,  entre outros do gênero. Mas ele não faz pelo dinheiro. Ele faz pelo prazer de trocar umas ideias com pessoas diferentes dele, pelo prazer de sentir-se amigo dessas pessoas, e principalmente ele faz pelo prazer de servir. Nobreza indefinível esta.

Que sorte a sua se você cruzou com alguém assim dias desses.
Que sorte a sua se você é o tipo de pessoa de bem com a vida e cruzou com outras pessoas dias desses.
Que sorte a nossa se passarmos a cruzar com pessoas assim todo o tempo!

Namastê!

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