Não fuja das dificuldades

Quando eu assisto filmes que retratam períodos antigos da nossa civilização, me pergunto se nós, como estamos hoje, conseguiríamos sobreviver à todas aquelas dificuldades?
Sim, eu concordo que evoluímos e por isso hoje temos a nossa disposição saneamento, infra estrutura, industrias, mais cultura e educação, mais cuidados com a saúde, uma comunicação nunca sonhada, e a tecnologia dos filmes futuristas,  enfim, temos tudo que possa garantir um modelo de vida melhor, mais tranquilo, e fácil.

Ocorre que isso parece muito bom, mas, em verdade, é um câncer mortal.
E como câncer, ceifa a vida lentamente, enquanto sua vítima ainda se sente saudável e gozando de vida plena.
Não nos demos conta do que está acontecendo conosco enquanto desfrutamos de todo esse progresso.
Temos todos os recursos disponíveis para uma vida melhor, mais tranquila e fácil, mas nunca tomamos tanto anti depressivos, ao longo da história, como fazemos hoje. E não venha me dizer que é por que antigamente as pessoas não sabiam que tinham depressão. Não sabiam, por que não tinham depressão. Por que elas eram obrigadas a ficar algumas horas por dia sem fazer nada.

No século passado nós eramos obrigados, por não haver outra opção, a comer, e na hora certa, comida produzida em sítio, conservada no máximo em banha de porco. Eramos obrigados a sentarmo-nos à mesa todos juntos para a refeição, e ao final do dia de trabalho, sem energia elétrica, a alternativa era a reunião em volta de uma fogueira, ou lareira para prosearmos sobre a vida.  Eramos obrigados à andar a pé varias vezes ao dia. No século passado pouco tínhamos, mas muito éramos.

Hoje, temos tudo e nada somos. Tudo que tínhamos em nossas mãos evoluiu, mas o que éramos estagnou-se para não dizer que recuou uns vários passos.
Perdemos por completo a noção do que somos para viver em função de tudo aquilo que podemos ter.
E é esse lapso que está nos tornando cada vez mais fracos. A ponto de ficarmos reconhecidos na história como “a geração mimimi”.
Seria bem engraçado não fosso tão trágico e fatal.
Esse conceito hiperbólico de ‘evitar o sofrimento’ é a causa do câncer que destruirá por completo a humanidade.

A psicóloga e sobrevivente de Aschwitz, Edna Eva Eger conta que as crianças mimadas foram as primeiras a morrer no campo de concentração, por que esperavam que outros viessem salvá-las, e como não haviam aprendido a salvar a si mesmas, desistiam e morriam. Triste demais essa narrativa.

As dificuldades do dia à dia não podem ser encaradas como sofrimento. Sofrimento é a forma como você escolhe vivenciar os tropeços que a vida lhe apresenta. O que significa que não precisa ser sofrível.
Busque a cada dificuldade, analisar todas as possibilidades para, em primeiro lugar, encontrar as ferramentas e enfrentar essa dificuldade. Encare isso apenas como um desafio engrandecedor, nunca como uma perseguição do universo à você. E ainda que você se sinta despreparado para esse desafio, encare de frente, mas não fuja. Não agir é tão nocivo quanto a ação incorreta.

As dificuldades são a maneira que a vida encontrou de passar você para um nível à cima. Enfrentou o desafio, recebe um diploma e sobe de nível. Se não enfrentou, espere mais um pouco. A vida envia novamente essa mesma dificuldade, talvez com uma cara um pouco diferente, pra mais uma vez te motivar a subir de nível, e finalmente tornar-se um doutor em desafios.
Qual a vantagem em ser um doutor neste assunto? Você terá vivido sua vida em todas as possibilidades e experiências, sem perder nenhuma das mais infinitas sensações que só a vida pode oferecer.
Você poderá finalmente dizer que sentiu o sabor que a vida tem.
Você terá vivido!

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