O Asana correto para Meditar

Existe mesmo um asana correto para meditar?
Essa é uma pergunta frequente entre os iniciantes em yoga e meditação.
Em geral, a pergunta vem da impossibilidade física destas pessoas em permanecerem nas tradicionais posturas meditativas, como por exemplo, “Padmasana” ou Postura de Lótus, aquela em que as pernas se cruzam e se entrelaçam por completo, parecendo quase um nó para alguns.

Vamos tentar esclarecer alguns detalhes sobre o asana (postura) correto para meditar:

1 – a palavra certa aqui  é ‘ideal’ e não ‘correto’ – Afirmar que só existe um tipo de asana correto para meditar é limitar o poder de todo processo meditativo. É claro que eu concordo sim, que um asana com as pernas cruzadas traz consigo o benefício da retenção do fluxo sanguíneo e energético nos membros inferiores, e consequente favorecimento destes fluxos na coluna e no cérebro (no corpo físico), e no eixo correspondente a Sushumna (corpo prânico), o que facilita e estimula todo o processo meditativo. Mas, neste caso, alguém  impossibilitado por completo de dobrar os joelhos está impossibilitado de meditar, certo? Se a meditação é uma prática fundamental do auto conhecimento e evolução humana, este alguém está condenado, ao menos nesta existência, certo? Esse limite não me parece yoga. O indivíduo que deseja meditar mas não consegue dobrar os joelhos pode e deve buscar uma postura mais ideal e adaptável aos seus limites. A  postura do corpo físico é um meio facilitador da meditação, e não fundamental.

2 – conforto é vital para meditar – a postura para meditar precisa sim atender à alguns requisitos básicos, e eu asseguro que o primeiro deles é ‘conforto’.  Antes de preocupar-se com o ideal fluxo sanguíneo e energético, concentre-se em adquirir a habilidade de não desconcentrar-se. E o desconforto físico tem um potencial incrível para desviar a concentração, e será o primeiro obstáculo para sua meditação, acredite. Portanto, se ainda não consegue sentar-se na postura dita ‘correta’, busque a posição ideal neste momento: aquela em que seu conforto é um grande aliado na meditação. E se a tal postura de pernas cruzadas das revistas é algo impossível em definitivo, ela jamais será boa para você. Apegue-se à postura ideal, e confortável.

3 – coluna ereta – este é um ponto crucial. Esta posição da coluna, permite uma oxigenação mais perfeita do cérebro, facilitando a concentração, e também favorece o desbloqueio dos centros energéticos (chakras), fatores que é obvio, tornam a meditação mais eficiente. Porém, volto a mencionar o asana ideal. Imagine alguém que por motivos desconhecidos desenvolveu uma lesão ou desvio de coluna que o impeça de sentar-se com a coluna ereta? Mais uma pessoa que não pode meditar? Não. É apenas alguém que precisará de um pouco mais de esforço já que não pode usar a postura de seu corpo para facilitar o processo. Quanto mais ereta sua coluna ficar, mais fácil será concentra-se e meditar, mas já está claro, eu espero, que não é usa coluna que medita, mas sim sua consciência.

4- a melhor postura de todas é na verdade, a postura em que você encontra-se agora, por exemplo, lendo este texto. Sentar-se na postura ideal e meditar é um exercício magnífico para desenvolver algo conhecido como “expansão da consciência”, que é  a consciência da plenitude. Mas você não pode experienciar esta plenitude apenas enquanto está sentado, em postura de lótus e isolado.
A consciência da Plenitude alcançada em sua meditação deve tornar-se parte de você, como uma nova realidade, em cada momento de sua vida, como um prolongamento de sua meditação para qualquer outro asana do dia a dia.
Sentado, deitado, em pé, trabalhando, estudando, comendo ou dormindo, permaneça na atitude meditativa da consciência da plenitude.
É para isso que meditamos.
Para transcender aqui, nas ações diárias e corriqueiras, e através desta transcendência, alcançar o YOGA.

Pratique! Experimente! Medite! Transcenda!

Namastê!

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