Sobre coragem

Nos últimos dias, assistimos à exibição da coragem, em cenas tão antagônicas, que não há a possibilidade de não refletir sobre o tema.
Vimos homens fortes, saudáveis e bem preparados, desafiando seus limites em um jogo de futebol, e buscando em suas entranhas a coragem necessária para enfrentar adversários visivelmente superiores, em uma arena ocupada por milhares de estranhos, com suas imagens expostas em aparelhos digitais por todo o mundo, e considerando a possibilidade de uma derrota inevitável.
Não podemos negar que há de se ter uma boa dose de coragem para enfrentar tudo isso.
Vimos também garotos inexperientes, na fragilidade coerente com a adolescência, buscando para além de suas entranhas, a coragem necessária para enfrentar a possibilidade da morte, em local inóspito, selvagem e longínquo, sem comida, sem dormir direito, sem a certeza de serem salvos.
Há que se ter muita coragem para enfrentar tudo isso.
Vimos homens fortes, saudáveis e bem preparados, buscando para além de sua existência, a coragem necessária para enfrentar as mais inimagináveis dificuldades e salvar as vidas dos garotos perdidos. Seguidas horas submersos, em local de difícil acesso, de frente com a morte o tempo todo, não é coisa que se faça sem uma magnifica dose de coragem.
Mas de onde vem essa coragem?
Que força é essa que impulsiona o ser humano na direção de enfrentamentos insólitos?
Esta força chama-se “motivação”, e ela vem do conhecimento que o homem adquiriu de si mesmo, o famoso auto conhecimento.
Por que alguns aguentam o tranco e enfrentam as situações revestidos de profunda coragem e outros recuam?
É substancial  para o homem, saber o que deseja, onde quer chegar, e sem equívocos, saber como chegar.
Sem este conhecimento de si mesmo, o homem é incapaz de dimensionar suas atitudes, e pode assim, tornar-se fraco, cruel, e doentio, apenas por não saber medir o que quer, e como quer.
Por não saber se o que deseja vale esse sacrifício, o homem recua no exato momento em que uma ação inesperada é exigida.
Recuar é uma fraqueza alimentada pelo desconhecimento de si mesmo, e não pode ser tratada com anti depressivos ou estimulantes.
Fraqueza cura-se através do auto conhecimento, que atribui ao homem curado a coragem necessária para os enfrentamentos que antes pareciam inconcebíveis.
Heróis são homens dotados sim de extrema coragem, e que venceram o primeiro medo da vida: o medo de enfrentar-se e transformar-se.
E não faz muita diferença se o ato de coragem é heroico ou de aparência banal, quem enfrenta sabe o que quer, e como quer.
O altruísmo em todos os casos vem com a profundidade do auto conhecimento.

Namastê!

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2 Comments on “Sobre coragem”

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