O “Propósito” no novo modelo econômico

Recentemente até o Papa Francisco pronunciou-se em relação à necessidade iminente de participarmos como sociedade da estruturação de um novo modelo ‘socioeconômico’: “as universidades, empresas e organizações são laboratórios de esperança para novas formas de compreender a economia e o progresso, combater a cultura do desperdício, dar voz a quem não tem nenhuma e propor novos estilos de vida.” (Época Negócios – 11/05/19)

 “O modelo econômico defendido e propagado pelo FEM produziu uma sociedade em que, segundo relatório da Oxfam, 82% de todo o crescimento de riqueza gerada no último ano foram para o 1% mais ricos; 42 pessoas detêm a mesma riqueza que os 3,7 bilhões mais pobres; e o 1% mais rico detém mais riqueza que todo o resto da humanidade. No período compreendido entre 2006 e 2015, os trabalhadores viram sua renda aumentar em média 2% ao ano, enquanto a riqueza dos bilionários aumentou em média 13% ao ano.” Oded Grajew

Cientistas políticos e econômicos defendem a tese de que se não acontecerem mudanças significativas, o sistema atual irá quebrar, através de mais uma severa crise mundial econômica e social, e, a duras penas, um novo sistema precisará ser implantado.

É evidente que um novo sistema econômico, político e social já vem tentando se implantar de um jeito quase que matreiro, assim aos poucos e inevitavelmente. 

O advento da tecnologia digital invadiu todos os setores imagináveis de nossa sociedade, e se agora os médicos podem fazer uma cirurgia muito menos invasiva por vídeo, nós também podemos usar aplicativos pra chamar um carro ou pedir comida. Tudo, absolutamente tudo está mudado.
É bem verdade que ainda encontramos fumo de corda e palha para os antigos cigarros de palha, mas hoje as lojas já vendem e entregam este mesmo produto pela internet.

Até aqui, a mudança parece ser apenas superficial. Parece que mudamos apenas o modus operandi.
Mas essa é a visão de quem está do lado de fora. Quando começamos a interagir com este novo sistema, tentando participar mais, atuar, fazer parte de verdade, podemos perceber a nova realidade de forma mais fidedigna.
O novo sistema não está preocupado apenas com ‘como vamos fazer’ a partir de agora, mas sim com ‘o que fazer’ a partir de agora.

Neste novo modelo econômico e social não há sentido no objetivo sem um Propósito. Nada mais faz sentido sem um propósito.

Se você faz e vende pão, apenas por que é uma tradição familiar de gerações, está fadado à sofrer. E não por deixar de vender seu pão, mas sim por deixar de buscar através do seu ofício, levar às pessoas a mais antiga forma de preparar o alimento, recheada de sua intenção de saúde, bem estar e prosperidade pra todos. Entende isso? Vender o pão é necessário, mas ter o propósito de levar saúde e bem estar às pessoas através de um pão magnífico é vital nos dias de hoje.

Por que as pessoas descobriram que elas também têm um propósito de vida. 
Por que as pessoas perceberam que mesmo depois de passarem anos acumulando dinheiro, coisas, poder, status, posição, e mais coisas, elas ainda estão vazias, e sem propósito. 
Por que as pessoas sentiram sua agonia interna que adoece, e ouviram por fim, a voz da consciência gritando há tempos por liberdade para SER. 

O bacana disso tudo é que eu sempre li grandes filósofos afirmando que a vida precisa ter um propósito, uma razão, um sentido,  e isso parecia muito difícil de se alcançar.
Mas agora, ficou claro que o propósito é um sentimento que devemos colocar em tudo, sempre. Se você hoje for participar de uma reunião de empreendedores da nova era, engajados em um novo sistema, ouvirá a palavra ‘Propósito’, talvez uma centena de vezes, por que não faz mais sentido vencer na vida sem um propósito.

Precisamos ter um propósito para todas as escolhas da vida, por que se não for assim, propósito fica parecendo algo inviável, inacessível e perde o nexo.  

Mas, o título do texto é “O Propósito do novo modelo econômico”. E você pode se perguntar se uma coisa assim, abstrata como um modelo de economia pode ter ‘propósito’? Na verdade, o propósito não é do sistema, mas sim das pessoas que compõem e fazem o novo sistema ou o novo modelo acontecer, e como unanime, dá uma característica padronizada, que passa a figurar como o ‘propósito’ deste sistema.

E qual seria o ‘propósito’ deste novo modelo econômico? ” Construir um mundo melhor”

E no mundo melhor haverá mais igualdade econômica e social, e menos miséria e fome. Haverá menor concentração de conhecimento e trabalho e mais oportunidades iguais. Haverá mais vida e menos morte, mais inclusão e menos exclusão. Haverá mais consciência e menos exploração, mais progresso e menos desperdício. Haverá uma nova forma de viver.

E neste novo mundo, a humanidade e o meio ambiente sofrerão muito menos, e estabelecerão entre eles mutuamente uma relação harmoniosa e equânime.

E aí? Você topa estabelecer um propósito de vida em sintonia com esse novo movimento planetário?

 

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *