Como manter-se calmo em um ambiente estressante?

Como manter-se calmo em um ambiente estressante?
Eu já vou começar sendo bem realista, mas não pessimista: não é nada fácil.
Manter a calma quando à sua volta, pessoas e ambiente estão e são estressados, é muito difícil.
É como sair na chuva e não se molhar. Mesmo que você tenha um guarda chuvas, a água escorre pelo guarda chuvas, e caí nas suas costas, na bolsa, molha os pés…e então você busca mais recursos, e pode também colocar uma galocha que protege seus pés, e daí a água (ela é insistente quando chove…) respinga e cai dentro da sua galocha. E você pode até vestir uma fantástica capa de chuva, com guarda chuvas e galocha, ficar parecendo um ser extraterrestre, e ainda assim, de súbito, a chuva pode decidir mudar de direção ou de intensidade e molhar os poucos centímetros descobertos em suas pernas.

Você deve estar pensando, então, que não há solução, e que de alguma forma vamos nos molhar?
Sim, é exatamente isso que eu quero que você entenda: não há como se proteger completamente dos respingos do ambiente à sua volta. Ele é o ‘ambiente’, e é nele, e com ele que você deve interagir.
Mas você pode escolher se vai deixar a água da chuva te molhar por inteiro, ou só por uns respingos. Você pode escolher não sair na chuva, e pode até chegar ao ponto de ficar na chuva, e não se incomodar por estar molhado. Mas, essa última escolha só para aqueles que já estão em níveis bem avançados de consciência, ok.

Cabe aqui uma observação muito importante: estresse não é cansaço. Se você chega em casa, depois de um dia de trabalho, e não tem vontade de mais nada, e reclama de tudo que passou no dia ‘estressante’, isso é sintoma de cansaço. Estresse é na verdade, o nome que se dá para um mecanismo fisiológico de sobrevivência (onde há perigo, mediadores químicos, como adrenalina, entram em ação). É evidente que esse cansaço pode ter sido gerado pelo estresse do ambiente, mas isso só acontece em dois casos: ou você não consegue se proteger ou não está gostando do ambiente que escolheu. Hoje, vamos falar sobre os meios de você se proteger. 

Então vamos à alguns pontos importantes:

1 – Não existe, em hipótese nenhuma, a possibilidade de você estar em um ambiente, e não ser atingido por ele. Repito: o ambiente é onde existimos, onde realizamos, onde interagimos, onde aprendemos e ensinamos. Se você deixar de interagir com os ambientes à sua volta, muito da sua realização será tolhida e a frustração que isso gera, pode agravar seu estresse. O maior problema neste caso não está no ambiente à sua volta, mas na maneira como você interage com ele.

2 – Existe sim, inúmeras possibilidades e recursos para que você consiga se proteger das influências do ambiente que te cerca.  Assim como você se protege da chuva, você pode , e deve, proteger-se dos ambientes estressantes, principalmente quando é nesse ambiente que você passa muitas horas do seu dia, da sua vida, tetando realizar aquilo que ama.

3 – Se você não se proteger, vira parte integrante do ambiente. Quando você consegue se proteger, sua capacidade de interação é multiplicada muitas vezes, e você passa a interagir de maneira mais eficiente com o ambiente e com todos à sua volta, sem se permitir afetar negativamente, mas sim, tornando-se um influenciador positivo deste ambiente. Sem proteção, torna-se vulnerável, improdutivo, ineficaz, se estressa, e vira parte do cenário, como todos os demais estressados.

Tá, e como você se protege? Boa pergunta, e para ela há respostas maravilhosas.

Você já fez alguma vez na sua vida o que vou descrever agora: “uma pessoa tem uma crise nervosa, gerada por algo drástico e repentino que acabou de acontecer no ‘ambiente à sua volta’ e você diz à ela – Pare! Respire com calma! Respire fundo e solte o ar, devagar! Calma! Vai ficar tudo bem!”
Então, vem aqui a primeira estratégia infalível: Pare! Respire!

A pausa para respirar neste momento de estresse e ansiedade funciona como um bloqueio à influência desse ambiente sobrecarregado. É como abrir o guarda chuvas: a chuva continua igual, mas já não pode te molhar por inteiro.
Respire fundo, com pensamentos mais tranquilos e bonitos, como por exemplo, lembrar-se da linda paisagem de um lugar que você curte, ou lembrar-se de seu filho sorrindo, seu cachorro abanando o rabinho quando você chega, ou seu gato manhoso, ou uma música. Respire e pense em qualquer coisa boa que possa funcionar como um bom guarda chuvas. Vai ficar tudo bem!

Certo, você conseguiu abrir seu guarda chuvas e não se molhou tanto, e agora?
Agora você tem que se esforçar um pouco mais e encontrar uma galocha, que vai proteger seus pés, e permitir que você continue caminhando.
Vem aqui uma segunda dica: reflita!

Não se desespere se esta etapa é muito difícil no começo, por que você nem imagina como e onde encontrar essa tal ‘galocha’. Tudo é novo. Mas, depois da primeira tentativa, tudo será quase que automático. Se você já conseguiu respirar e se proteger, precisa agora tomar uma decisão: como agir? Instintivamente, como um animal, ou racionalmente, como um ser humano? Enquanto você se faz essa pergunta, logo depois da pequena pausa para respirar, você amplia o espaço entre o estímulo e a resposta, e segundo Daniel Siegel, esse espaço ampliado é o segredo da liberdade. Liberdade neste caso, é poder estar no ambiente que você escolheu, interagir, realizar-se influenciar, sem ser atingido de forma negativa. Aqui, você define se vai apenas ‘reagir’, ou se decide como ‘agir’.

Deste ponto em diante, você pode influenciar de maneira edificante o ambiente à sua volta.

Para manter-se calmo e inatingível em um ambiente estressante, Pare, Respire e Reflita.
E isso é só o começo. Você ainda poderá muito mais, se desejar dominar por completo os instintos reativos da sua natureza primordial.

A vida flui e se continua através desta nossa interação com as pessoas, o ambiente, a natureza.
Mas somos nós que definimos qual será a qualidade desta interação: Reagindo ou Interagindo?

 

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *