Desistir é uma força que já domei

Eu não estava muito bem. Cabisbaixa, pensativa, ensimesmada, reflexiva. Quase desejando abdução.
Como de costume nessas situações, recolhi-me. Calei-me. Pensei-me. Li-me. Infeliz com a leitura que fiz de mim mesma, recorri à leitura de um livro. Olho na prateleira, pra escolher um título que me possa amparar nesse momento: O Profeta, Khalil Gibran. Não poderia ter feito escolha mais apropriada. Acredito até que intui essa escolha.

Minha mente tentou persuadir-me: certeza que vai ler este título neste momento? Sua insatisfação consigo mesma pode agravar-se diante das palavras de Gibran. Segurei o pequeno livro por alguns instantes, olhando para a gravura da capa, desta edição de 40 anos. A figura do homem me olhou e disse: escrevi este livro para este momento! Leia!
Minha consciência sabia que ele, o homem desenhado na capa do livro, estava certo.

Quem já leu sabe à que refiro-me. Então comecei.
As palavras de Gibran sobre o AMOR, nos fazem entender que sabemos amar, sabemos que somos amor, sabemos o que vem com o amor, mas, não sabemos fazer esta escolha.
As palavras de Gibran são como o fogo, não tem como não sentir sua presença, a não ser que você não leia o livro, ou não se aproxime do fogo.

Fui me deleitando no mar de que ele tanto fala, e parecia ter esquecido minha insatisfação comigo mesma, até entregar-me de todo e ser tocada pelas palavras certas: “Na verdade, todas as coisas movem-se dentro de vós em constante meio aperto, as desejadas e as receadas, aquelas que vos repugnam e aquelas que vos atraem, aquelas de que fugis e aquelas que procurais”. Nesta frase, ele refere-se à liberdade, mas seu entendimento aplica-se à qualquer outro aspecto da vida. Nunca estamos livres por completo, enquanto buscamos a liberdade, por que todas as coisas movem-se dentro de nós em meio aperto.

A tristeza e a felicidade, a leveza e o peso, a dor e o júbilo, a ação e a indolência, a dúvida e a certeza, tudo isso movimenta-se dentro de mim, em constante meio aperto.

Por que estas palavras me trouxeram a paz que eu buscava? Por que eu entendi minha aflição interna, e entendi que apenas não soube fazer a escolha certa em uma determinada situação. Tenho dentro de mim, em constante movimento, todas as capacidade e todas as incapacidades. Só preciso escolher qual destas forças quero lapidar em mim. Qual destas forças preciso domar. Qual dessas forças desejo externar.

Sei amar, sei que sou amor, sei o que vem com o amor, mas não sei escolher amar em todas as situações.
Sei que não é fácil ser quem eu sou, e menos ainda quem desejo ser.
Mas serei! Desistir é uma força que já domei!

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