A visita ao belíssimo Templo Gwruduara Bangla Sahib

Nosso primeiro passeio programado nesta Jornada Inicial.
O choque causado pela bagunça organizada do trânsito é, sem dúvidas, uma emoção à parte. Vou escrever um texto contando só sobre isso.
Não bastasse andar de ônibus, foi preciso também atravessar uma avenida para chegar aos portões do templo.
Foi assustador, a princípio, mas divertido por fim.
Ao chegar, precisamos entrar em uma sala onde os sapatos são deixados. Os homens sem turbantes, e as mulheres sem lenço na cabeça precisam vestir um lenço amarelo fornecido por eles para continuar a visitação, por que tudo ali é muito sagrado para eles, e estes pequenos cuidados mostram bem isso. Nos passos finais em direção à entrada, precisamos lavar os pés, em uma espécie de ‘tanque’ no chão.
Não é permitido fotografar internamente o templo, mas chama a atenção o número de fiéis que permanentemente entoam seus cânticos ou orações devocionais, ao redor de um altar que contém apenas ‘um livro’. Não há uma única imagem, dentro ou fora do templo, mas, todas as coisas, todas as formas, contém um poderoso simbolismo. 
Ao sair da parte interna do templo principal, nos deparamos com os jardins internos onde existe uma espécie de lagoa  conhecida como o “Sarovar”, cuja água é considerada santa e com poderes milagrosos de cura , pelos  sikhs .
Tudo é encantador. 
Mas o momento mais tocante estava por vir. Os sikhis mantem uma monumental cozinha, e um salão sagrado para servir alimento à qualquer um que desejar receber. São preparados o tradicional ‘chai’ (chá indiano) com ‘chapat’ (um pão típico da Índia) durante todo o dia, e nas refeições principais é oferecido um caldo de legumes.
Todo serviço é feito por voluntários, que simplesmente vão chegando, vestindo aventais e colocando a mão na massa. O tempo todo tem gente entrando e saindo dos trabalhos na cozinha, e do salão onde os alimentos são ofertados. Neste salão, sentam-se lado a lado, pessoas carentes e necessitadas do alimento, e aqueles que vão receber o alimento como forma de devoção e adoração. Isso é fantástico.
Há um ritual a ser seguido, uma ordem em sentido anti horário para ocupação dos lugares nos tapetes estendidos ao longo do salão. Tudo muito sagrado.
Perguntamos ao nosso guia, como eles conseguem manter a cozinha funcionando sem interrupções: com doações.  Os sikhis acreditam que precisam compartilhar o que se conseguem no trabalho.
A energia deste lugar é tão intensa e marcante que muitos de nós não conseguiram conter as lágrimas.
Fizemos chapat na cozinha, depois nos sentamos para receber o alimento, e voltamos para o hotel.
Posso dizer que foi um começo muito marcante desta nossa jornada.
Vou trazer o pouco que aprendi sobre esta religião tão desconhecida para nós, mas que é considerada a quinta maior do mundo, com cerca de 25 milhões de adeptos, sendo que 80% desses vivem na Índia.
 
A palavra Sikhismo deriva do termo em sânscrito “sisya”, que significa discípulo. Baba Nanak fundou esta religião por que queria uma fusão entre o islamismo e o hinduísmo. Os sikhis, como são conhecidos os devotos desta religião, usam o turbante na cabeça, seguem e adoram o conteúdo de um livro sagrado: Adi Granth. Eles acreditam na lei do karma(causa e efeito), são defensores da tolerância e da igualdade e acreditam que somente através de nossos próprios esforços somos capazes de nos libertar. Para eles, o que nos separa de Deus é o egocentrismo.
 
Os três pilares do Sikhismo enfatizam o cumprimento de deveres fundamentais para a religião:
 
1 – Ter Deus presente na mente em todos os momentos (Nam Japam).
2 – Sustentar-se pela prática do trabalho honesto (Kirt Karni).
3 – Compartilhar o que se consegue no trabalho com os necessitados (Vand Chhakna).
Assim iniciamos esta jornada pela encantadora Índia.
E tem muita história ainda pra contar. Aguardem!
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