A politica do cidadão

Este final de semana foi “osso”. E daqueles ossos duros de roer.
Cenas lamentáveis e inconcebíveis, protagonizadas por nossos políticos federais, foram assistidas por todos nós brasileiros, pela TV, redes sociais, jornais, sites de notícias, enfim, por qualquer meio de comunicação.
Esperta e escaldada que estou, fui investigar quais dessas imagens poderiam ser ‘fake news’ e levei um choque: nenhuma delas era falsa.

Todas as aterradoras imagens divulgadas eram reais, verdadeiras, e descreviam uma cena de comédia, no estilo humor negro, em um cenário que não foi criado para esse tipo de encenação.

Esse fato constatado torna essas imagens e a situação gerada ainda mais graves.
O cenário escolhido para essas ridículas encenações, a Câmara de Deputados Federias e o Senado, são locais ‘sagrados’ para a manutenção da ordem, e do desenvolvimento de uma sociedade como nação. Nestes locais as decisões sobre o destino da nação são tomadas. Nesses locais todo o povo deposita sua fé e esperança de justiça, de ordem e progresso.

Mas então, qual seria a explicação para a presença atuante de tantos cômicos em um cenário tão sério para a nação brasileira?

A explicação é bem simples e evidente: eles foram eleitos pelo povo e são agora representantes da voz do povo.
Parte de nós entende a resposta mas não entende o fato. Eu, assim como  muitos amigos e familiares, conversei muito na época da eleição, trocamos ideias, pesquisei, ouvi entrevistas, tudo para votar de forma consciente, e ao ver as cenas cômicas, nos perguntamos: ‘quem votaria nesse tipo de deputados e senadores?’ Mais uma resposta bem simples: ‘o eleitor que está procurando o representante que continuará atendendo às necessidades individuais de um ou outro eleitor.’

É comum em muitas, pra não dizer em todas as cidades do Brasil, o cidadão votar no vereador que já conseguiu vaga em hospital quando ele precisou, ou medicação, ou aquele que conseguiu lombada na rua, ou deu nome de um familiar seu(do eleitor) à praça, ou museu, entre outras coisas inacreditáveis.
Em contra partida, o vereador eleito continua dando prioridade à esse tipo de atendimento garantindo assim sua reeleição, estabelecendo assim a mais medíocre forma de relação humana.

Vou frisar esta parte: estabelecemos a mais medíocre forma de relação humana.

As cenas evidenciam a baderna emporcalhada instituída na gestão pública de nossa pátria amada. Reclamamos, é claro. Mas, analise de forma mais fria e imparcial: os deputados e senadores eleitos que protagonizaram essa comédia toda, estão apenas ‘puxando a sardinha pra sua brasa’, exatamente o que você fez quando votou neles.
Se não tem nada de errado em você se beneficiar de um contato mais próximo com um vereador, ou deputado, também não tem problema ele se beneficiar de um contato mais íntimo com o poder. Vê como é medíocre essa relação.
E se você não votou em nenhum destes, mantenha ainda assim seus olhos bem abertos.

Enquanto não tomarmos estas escolhas de nossos candidatos, com os olhos voltados para a sociedade como um todo, para o desenvolvimento da nação e não somente para o nosso próprio meu benefício, nada mudará

“Engrandecerás o teu povo, não elevando os telhados da suas vivendas, mas a alma de seus habitantes” Epiteto.
Como almas de uma nação, como almas de um povo, estamos ainda pequeninos demais, e essa pequenez de alma  evidencia-se quando ganhamos poder, ou dinheiro, ou fama, ou tudo junto, o que é infinitamente pior. Essa pequenez evidencia-se quando aceitamos indignamente esmolas “benéficas”.
Não nos sentimos parte de uma civilização, por isso não nos comprometemos com o engrandecimento do povo. Lamentável, pois uma grande civilização é medida pelo nível moral de seus habitantes.

Estamos ainda nutrindo um esquema de ‘política do cidadão’, onde tudo é feito em benefício do indivíduo, que acha que é cidadão.
Quando nos tornarmos cidadãos praticaremos então um novo esquema: ‘o cidadão da política’, onde o indivíduo não existe sozinho, e o cidadão tem deveres e não direitos.

Caminhando sempre em frente, haveremos de chegar lá.

Namastê!

 

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