Sobre MERITOCRACIA

Eu sou meritocrata.
Minha natureza humana e meu intelecto compreendem a vida através da meritocracia, sim.
Mas, essa questão vem sendo abordada com tanta negligência atualmente, que me peguei refletindo, e muito, sobre o tema: estaria eu equivocada?  Seria mesmo a meritocracia algo abominável?

Recorri primeiro ao dicionário, já que a confusão sobre o tema é bem material e mundana.
Meritocracia: Sistema fundamentado no mérito dos mais capazes, mais competentes e mais capacitados. ( Não vejo incoerência nisso, principalmente se for um piloto de avião, cirurgião, bombeiro ou governante.)
Depois, recorri à minha consciência. Perguntei-me várias vezes, até encontrar uma resposta, por que eu acredito na justiça meritocrata? E apesar das dúvidas aparentes, internamente, uma voz me dizia que havia coerência no meu pensar.
De onde viria essa certeza coerente?
Minha certeza vem da sabedoria eterna. Sim. E não é presunção. É apenas confiança e fé.

A filosofia de vida que eu adotei como modo de viver, me ensinou que todo o Universo é regido por leis Cósmicas que determinam como tudo irá manifestar-se. Eu não criei isso. Eu acredito nisso com todo poder e força que minha alma possui. E acredito também que essas leis são iguais para todos, sem incluir ou excluir indivíduos ou situações específicas. Toda a existência está submetida à Leis e Ordens. Ou será um arame bem forte que segura os planetas e o Sol nesta órbita perfeita?

Vou iniciar citando uma Lei Cósmica básica conhecida como Karma, ou a lei da causa e efeito. Essa lei, que atua sobre todas as coisas que possam existir, em qualquer nível dimensional, faz com que para toda ação, que pode ser denominada ‘causa’, inexoravelmente haja uma reação, denominada efeito. Exemplos bem simples porém axiomáticos:

“Quem planta, colhe”, “Você colhe o que plantou”, “Quem semeia vento, colhe tempestades”. “É dando que se recebe, e é perdoando que se é perdoado”.

Essa Lei Cósmica é irrefutável. Ninguém ousa questionar por quê as sementes de jaca que ele plantou não brotaram o arroz que ele tanto precisava para alimentar sua família. Essa Lei nos remete sim a meritocracia, visto que você colherá os frutos da semente que plantou, e  receberá os efeitos correlacionados às suas ações. Se fizer bem feito, o resultado será melhor do que fazendo mal feito, e isso é obvio. Se escolher não fazer, estrá submetendo-se à resultados inexpressíveis.

Adentrando agora as leis humanas, quando uma criança vai pra escola e faz uma prova, ela recebe a nota equivalente ao seu desempenho, segundo as leis dos homens. Mais dedicação, melhor desempenho, melhores notas. Essa lei continua sendo aplicada ao adolescente, que se não for bem nas provas, não passa de ano, e não entra na universidade, e não consegue um bom trabalho. E não saímos contestando isso na infância, por que está intrínseco na natureza humana reconhecer a Lei da causa e do efeito. Aliás, está intrínseco até nos cachorros…

Passamos a contestar essa Lei Cósmica quando nos damos conta de que nossas ações(causa) não trarão os efeitos desejados.

Sofrendo essa pressão externa, vamos nos desprendendo da ação pelo dever, e passamos a agir apenas pela recompensa. Passamos a confundir meritocracia com recompensa, ou o “imperativo hipotético” de Kunt, e vivemos cumprindo uma lei sem reconhecer seu propósito. “Se comer tudo ganha sobremesa”, “Se passar de ano ganha o video game”, “Se for bonzinho, ganha o presente do papai noel”, “Se passar no vestibular, ganha um carro”.

Quando nos damos conta de que para ser alguma coisa específica, precisamos nos dedicar de alma à um profundo reconhecimento das técnicas que envolvem essa especificidade, podemos escolher entre dois caminhos apenas, por que o mundo mental é binário: ou nos enchemos de força para enfrentar todas as dificuldades que se possam apresentar neste caminho de inteira dedicação, ou, rendemo-nos à fraqueza e a indolência, e buscamos outros meios mais fáceis, e menos justos de conseguir.

Ao fazermos a segunda escolha, tendemos a nos tornarmos cegos à qualquer tipo de esforço alheio, e enxergar apenas a nossa própria vitimização.

Então, não consigo enxergar a crueldade na meritocracia, como uma Lei Cósmica.
Por algum motivo, que eu desconheço, mas que as Leis Cósmicas conhecem, eu nasci nesta minha família, neste país, e enfrentei as dificuldades que me foram apresentadas. Sou sim abençoada, mas quem não é? Tive facilidades? Depende do ponto de vista. Para mim foi mais fácil do que foi para alguns, reconheço,  mais foi também mais difícil que para outros, que nasceram em outras circunstâncias.

A circunstância em que nos encontramos hoje não nos dá mérito e nem demérito qualquer.
A circunstância em que nos encontramos hoje é o caminho que precisamos percorrer para crescer e evoluir.
A circunstância em que nos encontramos hoje é passageira, mutável, impermanente, mas está sujeita à Lei Cósmica, e os efeitos de nossas escolhas serão implacáveis.
E a consciência capaz de distinguir o real do ilusório, não se separa do todo e de tudo. Não reconhece apenas o ‘eu’. Não foge da sua atual circunstância. Não se rende. Não reclama. Não aceita esmolas medíocres e hipócritas. E desenvolve a perspicácia: a capacidade de estar limpo para ver as coisas como realmente apresentam-se. 

Nos perdemos e desgastamos acreditando que “gerir o óbvio” é virtude.
Não somos capazes de nos reconhecermos como responsáveis por nossa atual circunstância, mas somos. Nos sentimos diferentes e separados dos outros. Nos sentimos mais ou menos que os outros. Nos apegamos por fim ao sentimento de privilégio ou de vitimização. Nos empoderamos ou tornamos-nos coitados. Pisamos ou praguejamos os que pisam. Mas não conseguimos nos desprender desta Matrix. E não desejamos ainda agir de maneira diferente.

Atendendo à uma amável sugestão, deixo alguns pensamentos sábios para reflexão sobre viver:
“Eu caminho em direção aos meus princípios” Sri Ram!
“Dá o que tens para que mereças receber o que te falta.”  Santo Agostinho!
“Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo”  São Paulo!

 

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